A Espanha é campeã do mundo. Neste domingo, 19 de julho, a seleção espanhola venceu a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, com gol de Ferran Torres. É o segundo título mundial do país, 16 anos depois do primeiro, conquistado em 2010 na África do Sul.
E se tem um país que sabe comemorar dançando, é a Espanha. Enquanto as ruas de Madri, Barcelona e Sevilha param para festejar, vale conhecer as danças típicas da Espanha, um repertório que vai muito além do flamenco que todo mundo já viu em algum lugar.
Spoiler: cada região tem a sua, e algumas são bem diferentes do que você imagina.
Flamenco
O mais famoso de todos, e com razão. O flamenco nasceu na Andaluzia, no sul da Espanha, por volta do século XVIII, da mistura de culturas cigana, árabe, judaica e cristã, com influências africanas que chegaram pelo Mediterrâneo.
O que o define é a intensidade. Movimentos precisos de braços e punhos, sapateado forte, expressão facial marcante, giros e o rodar da saia. O flamenco tem três pilares: o cante (canto), o baile (dança) e o toque (guitarra). Palmas e castanholas completam o ritmo.
Em 16 de novembro de 2010, a UNESCO incluiu o flamenco na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A data virou o Dia Internacional do Flamenco.
Curiosidade que corre na Espanha: dizem que há mais escolas de flamenco no Japão do que no próprio país. E no Brasil o estilo também tem comunidade fiel, com festivais anuais e escolas em várias capitais.
Sevilhanas

Parecidas com o flamenco à primeira vista, mas com propósito bem diferente. As sevilhanas são dança folclórica de Sevilha, mais leves e menos exigentes fisicamente, o que faz com que qualquer pessoa, de qualquer idade, consiga dançar.
É a dança das festas populares, presente principalmente na Feria de Abril de Sevilha, uma das celebrações mais famosas da Espanha. Se você vir espanhóis comemorando o título em roda, com braços erguidos e movimento circular de mãos, provavelmente são sevilhanas.
Pasodoble
O pasodoble é a tourada transformada em dança de salão. O homem incorpora o espírito do toureiro, com postura firme e orgulhosa, e conduz a parceira pelo salão como se ela fosse a capa. Os tempos são bem marcados, o clima é de tensão dramática.
Hoje o pasodoble é dança de salão internacional, presente em competições de dança esportiva no mundo inteiro. Mas a origem e a estética seguem inconfundivelmente espanholas.
Sardana

Essa é a mais surpreendente para quem só conhece o flamenco. A sardana é a dança típica da Catalunha e símbolo da identidade catalã, completamente diferente do estilo andaluz.
Dança-se em roda, com as mãos dadas e os braços erguidos, num círculo que cresce conforme mais gente entra. Não tem solista, não tem estrela, não tem exibição individual. É coletiva por definição, e qualquer pessoa pode entrar na roda em qualquer momento.
Os passos parecem simples, mas exigem disciplina e contagem precisa, coordenadas por um líder em cada círculo. A sardana se popularizou no século XIX, com raízes nas regiões de Empordà e Garrotxa.
Jota
A jota é a dança tradicional mais espalhada pela Espanha, com variações regionais em Aragão, Valência, Galícia, Navarra e outras comunidades. A mais conhecida é a jota aragonesa, que remonta ao século XVIII.
É dança animada, com movimentos rápidos dos pés, pequenos saltos e uso de castanholas. Cada região imprime seu próprio sotaque no ritmo, o que faz da jota menos um estilo único e mais uma família de danças.
Fandango
O fandango é dança de par, de ritmo ternário e clima vivo, originária da Andaluzia e de Castela. Entre o fim do século XVIII e o início do XIX, se espalhou por praticamente toda a Espanha, chegando a Astúrias, Extremadura, Múrcia, Valência e País Basco.
Na Andaluzia, o fandango se misturou ao flamenco e deu origem aos fandangos aflamencados, que hoje são um dos palos (estilos) mais tocados no repertório flamenco. O ritmo também atravessou o oceano e ganhou vida própria em países como o México.
O país que dança em roda e no salto

O mais interessante das danças espanholas é o contraste. De um lado, o flamenco andaluz, individual, intenso, dramático. De outro, a sardana catalã, coletiva, contida, comunitária. No meio, a jota mudando de sotaque a cada província.
É um retrato bem fiel da própria Espanha, um país feito de regiões com identidades fortes e distintas, cada uma com sua língua, sua tradição e seu jeito de mexer o corpo. Neste domingo, todas elas comemoraram juntas.
E aqui no Brasil, quem quiser experimentar, o flamenco tem escolas e festivais ativos em várias capitais. Junho e julho costumam concentrar boa parte da programação.
Se você curte conhecer danças de outros países, dá uma olhada no nosso guia dos tipos de dança e descubra também quais danças são realmente brasileiras.
FONTES CONSULTADAS
- GCMais, “Quem ganhou a Copa do Mundo 2026? Veja o campeão e o resultado da final”, 19/07/2026
- Terra Esportes, “Espanha é a grande campeã da Copa do Mundo 2026”, 19/07/2026
- UNESCO, “El flamenco”, Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, inscrito em 16/11/2010
- Junta de Andalucía, “Flamenco, Patrimonio Cultural Inmaterial de la Humanidad”
- Rotas de Viagem, “14 Danças Típicas da Espanha”, abril de 2022
- Superprof, “Qual dança espanhola praticar? Flamenco, bolero, pasodoble”
- Educação umComo, “11 danças da Espanha, características e como dançar”, setembro de 2022
- Astelus, “Bailes típicos de España”, sobre origem e difusão do fandango