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O Que É o Haka, a Dança da Nova Zelândia Que Voltou a Bombar

Entenda o que é o haka, a dança maori da Nova Zelândia que ficou famosa pelo rugby e voltou a viralizar com o protesto no parlamento.

seleção da Nova Zelândia executando o haka antes de jogo de rugby
Os All Blacks executam o haka "Ka Mate" antes de cada partida desde 1888. Foto: Reprodução / Wikimedia Commons

Você provavelmente já viu pessoas dançando o haka em algum vídeo no celular. Talvez antes de um jogo de rugby da seleção da Nova Zelândia, os All Blacks. Talvez no parlamento neozelandês, onde uma deputada de 22 anos rasgou um projeto de lei e iniciou a coreografia no meio da votação. Talvez num casamento. A busca por “dança Nova Zelândia” subiu 650% no Google nas últimas 24 horas no Brasil, segundo o Google Trends. Vale a pena entender por que.

O que é o haka

Haka, na língua maori, significa simplesmente “dança”. É a expressão tradicional do povo Maori, indígenas da Polinésia que chegaram à Nova Zelândia entre os séculos XII e XIV. Mesmo a maior parte do mundo associando o haka a guerra, na cultura maori ele é usado para várias ocasiões. Recepção de visitantes, casamentos, funerais, celebrações coletivas, comemorações esportivas. Tudo é haka.

O que define a coreografia é a combinação de movimentos vigorosos com canto, pisar firme no chão, tremer das mãos (representando o ar quente do verão distorcendo a paisagem), bater no próprio corpo e mostrar a língua. A intensidade serve para reforçar a mensagem que está sendo passada, não necessariamente para provocar.

Por que o mundo conhece pelo rugby

O haka chegou ao mundo pelos All Blacks, a seleção neozelandesa de rugby, que executa a dança antes de cada partida desde 1888. O haka mais conhecido executado pelo time é o “Ka Mate”, composto pelo chefe maori Te Rauparaha no século XIX. Em jogos especiais, os All Blacks usam outro haka, o “Kapa o Pango”, criado em 2005 especificamente para o time.

Adversários nunca souberam exatamente como reagir. Alguns enfrentam de perto, outros respeitam à distância. Em 2008, jogadores galeses formaram uma linha à frente dos neozelandeses e ficaram parados após o fim do haka, encarando, durante um minuto e meio. Virou imagem icônica.

O haka no parlamento

A onda recente de busca vem de outro lugar. Em novembro de 2024, a deputada maori Hana-Rāwhiti Maipi-Clarke, então com 22 anos, rasgou uma cópia do “Treaty Principles Bill” e iniciou um haka no parlamento neozelandês. O projeto de lei propunha mudar a interpretação do Tratado de Waitangi, documento de 1840 que estabelece direitos do povo maori.

Outros parlamentares do Te Pāti Māori (Partido Maori) se juntaram à manifestação. A sessão foi suspensa. O vídeo viralizou no TikTok, Instagram e X, acumulando milhões de visualizações no mundo todo.

Em junho de 2025, três deputados maoris foram suspensos do parlamento como punição pelo ato. A medida gerou novos protestos, com manifestantes fazendo haka em frente ao edifício do parlamento em Wellington.

Por que dá pra dançar no Brasil

Não existe escola dedicada ao haka no Brasil. A dança é sagrada para os maoris e não costuma ser ensinada fora de contextos culturais específicos. Mas o tema tem ressonância em rodas brasileiras de dança contemporânea e em apresentações multicultural.

Quem quiser entender melhor o significado, vale assistir aos vídeos do parlamento (estão no YouTube oficial do New Zealand Parliament) e aos do site oficial de turismo da Nova Zelândia (newzealand.com), que explicam cada movimento.

O haka entrou no vocabulário cultural global como símbolo de força coletiva. Em 2026, segue sendo um dos rituais mais reconhecíveis do mundo.

FONTES

  • BBC News, “What is the haka and why was it performed in NZ parliament?”, novembro de 2024
  • Site oficial New Zealand Tourism (newzealand.com)
  • Jornal de Brasília, “Nova Zelândia pede punição para deputada que viralizou ao realizar haka no plenário”, maio de 2025
  • Wikipedia, “Haka”, verificado em junho de 2026
Foto de Antonio Miranda

Sobre o Autor

Antonio Miranda é criador do Busca Dança, plataforma brasileira dedicada a reunir escolas, eventos, bailes e conteúdos sobre dança em um só lugar. Na Revista Busca Dança, escreve sobre cultura da dança, comportamento no baile, guias de onde dançar, eventos, escolas, curiosidades e novidades do setor. Seu trabalho no Busca Dança tem como objetivo facilitar o acesso à dança real, ajudando pessoas a encontrarem lugares para dançar, começarem com mais segurança e se conectarem com a comunidade da dança no Brasil.

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