A obra de Lídia Baís vai sair das telas e ganhar movimento no palco. O espetáculo L’Existence – Lídia Baís estreia em 4 de agosto, às 20h, no Teatro Glauce Rocha, localizado no campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande.
A apresentação reúne dança contemporânea, pesquisa histórica e elementos visuais inspirados nas pinturas da artista campo-grandense. A sessão será única, com ingressos a partir de R$ 70. A divulgação oficial também informa classificação livre.
A montagem evita contar a vida de Lídia como uma biografia convencional. A proposta parte de suas obras, escritos e escolhas pessoais para criar cenas abertas à interpretação do público.
L’Existence – Lídia Baís transforma pinturas em movimento

O espetáculo começa simbolicamente no último suspiro de Lídia Baís. A partir desse ponto, lembranças, imagens e personagens relacionados à sua produção artística aparecem como fragmentos de uma existência que continua sendo revisitada.
Durante o processo criativo, pinturas da artista serviram como referência para gestos, posições corporais, relações entre os intérpretes e elementos de cena. As imagens divulgadas do ensaio mostram bailarinos trabalhando com tecidos, sombras, formações coletivas e movimentos de sustentação.
A direção artística e coreografia são de Monique Paes, que já havia estudado a trajetória de Lídia ao integrar a equipe de um longa-metragem sobre a artista. Segundo a coreógrafa, a intenção da montagem sempre foi preservar espaço para diferentes leituras.
“Em nenhum momento quisemos biografar sua vida. A intenção sempre foi revelar ao público o quanto sua trajetória é rica.”
A pesquisa envolveu documentos, relatos, pinturas, músicas e experimentações corporais. O objetivo foi encontrar uma linguagem que apresentasse Lídia ao público sem tentar definir por completo quem ela foi.
Uma personagem construída sem recorrer à fala

Ana el Daher assume o papel de Lídia Baís no espetáculo. A bailarina conta que conhecia o sobrenome da artista por sua presença na história de Campo Grande, mas passou a enxergá-la de outra forma depois das pesquisas realizadas para a montagem.
“Lídia se tornou para mim uma mulher muito à frente do seu tempo.”
Um dos desafios foi construir uma personagem histórica utilizando apenas o corpo. Sem diálogos explicativos, comportamentos, conflitos e desejos precisam aparecer por meio da movimentação, da relação com os outros intérpretes e da composição das cenas.
Ana afirma que a equipe trabalhou com cuidado diante das lacunas existentes sobre a personalidade e a intimidade da artista. Diários, pinturas, estudos históricos e relatos ajudaram a orientar essa construção.
A expectativa da intérprete é que a apresentação também desperte curiosidade sobre a obra de Lídia. O espetáculo trata de escolhas pessoais, liberdade, pertencimento e das pressões enfrentadas por uma mulher que tentou conduzir a própria vida em uma sociedade pouco aberta a esse tipo de autonomia.
Quem foi Lídia Baís
Lídia Baís nasceu em Campo Grande em 22 de abril de 1900 e morreu na mesma cidade em 10 de outubro de 1985. Pintora, escritora e compositora, é reconhecida como uma das precursoras das artes plásticas em Mato Grosso do Sul.
Na década de 1920, estudou pintura no Rio de Janeiro e viajou para a Europa, passando por cidades como Paris e Berlim. Esse contato aproximou sua produção de movimentos como o expressionismo e o surrealismo, embora sua obra tenha desenvolvido características próprias.
Sua produção também foi atravessada por temas religiosos, filosóficos, familiares e existenciais. Lídia pintava, escrevia e compunha músicas, além de refletir sobre o lugar ocupado pelas mulheres na sociedade de sua época. Parte de sua obra integra o acervo do Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul.
Décadas depois de sua morte, sua história continua servindo de matéria para exposições, pesquisas acadêmicas, filmes e criações cênicas. Em L’Existence, esse legado chega ao palco por meio da dança.
Serviço: L’Existence – Lídia Baís
📍 Local: Teatro Glauce Rocha, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Avenida Costa e Silva, s/nº, Bairro Universitário, Campo Grande, MS
🕒 Data e horário: 4 de agosto, às 20h
💰 Ingressos: a partir de R$ 70
🎶 Formato: espetáculo de dança contemporânea
👥 Classificação: livre
📲 Informações e ingressos: Instagram do Espaço de Dança Selma Azambuja
🎟️ Venda presencial: bilheteria do Teatro Glauce Rocha
🔗 Veja também: eventos de dança cadastrados no Busca Dança
💡 Dica: o teatro fica dentro do campus da UFMS. Vale chegar com antecedência para localizar o prédio e retirar ou confirmar o ingresso.
O endereço institucional do Teatro Glauce Rocha é Avenida Costa e Silva, s/nº, Bairro Universitário, no campus da UFMS.
O espetáculo é realizado com investimento do Fundo de Investimentos Culturais do Governo de Mato Grosso do Sul. Quem mora na capital também pode consultar as escolas de dança em Campo Grande reunidas pelo Busca Dança.
Datas, horários, valores e formas de compra podem sofrer alterações. Confirme as informações diretamente com a produção antes de sair de casa.
FONTES CONSULTADAS
- Espaço de Dança Selma Azambuja. Publicação oficial de divulgação de L’Existence – Lídia Baís. Consultada em 28 de julho de 2026.
- A Crítica. “Espetáculo L’Existence transforma pinturas de Lídia Baís em dança no Teatro Glauce Rocha”. Publicado em 26 de julho de 2026.
- Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. “Marco celebra 119 anos de Lídia Baís com programação gratuita”. Publicado em 17 de abril de 2019.
- Teatro Glauce Rocha, UFMS. Página institucional de contato e localização. Consultada em 28 de julho de 2026.
- Material de imprensa enviado ao Busca Dança, com declarações das responsáveis pelo espetáculo e fotografias de Milena Yuka.