Quem entra em uma aula da Pé Descalço logo percebe dois elementos que diferenciam a escola: os alunos usam colares coloridos para indicar o nível técnico e as turmas são organizadas por quem conduz ou prefere ser conduzido, sem vincular essas funções ao gênero.
Essa estrutura nasceu longe do formato atual de rede. A Pé Descalço começou em Belo Horizonte, em 12 de abril de 2003, a partir de uma iniciativa voluntária. Mais de duas décadas depois, a escola informa ter ensinado seu estilo de forró a mais de 20 mil pessoas e manter mais de 1.800 alunos matriculados em unidades no Brasil e no exterior.
A expansão chama atenção, mas a parte mais interessante da história está no método criado pela escola. Em vez de oferecer apenas aulas avulsas de passos e sequências, a Pé Descalço estruturou um sistema progressivo, com níveis, avaliações, formação de professores e uma identidade própria dentro do forró.
Como nasceu a Pé Descalço em Belo Horizonte
A história oficial situa o início da Pé Descalço em 12 de abril de 2003, em Belo Horizonte. O projeto surgiu de uma ação voluntária e foi desenvolvido a partir dos métodos da Oficina de Forró de São Benedito, criada pelo professor Ronald.
A escola cresceu dentro de uma cidade que já possuía uma cena forte de forró universitário e dança de salão. Com o tempo, os responsáveis passaram a organizar o conteúdo técnico, desenvolver sequências próprias e criar uma metodologia que pudesse ser repetida em outras turmas e unidades.
Rick Resende é identificado como fundador e diretor executivo da rede em reportagem publicada pelo Diário do Comércio. Segundo ele, o caráter social continuou fazendo parte da proposta mesmo depois da profissionalização da escola, com participação em projetos, workshops e outras ações ligadas à divulgação do forró.
Como surgiu o estilo Pé Descalço
A rede não se limita a ensinar um repertório genérico de forró universitário. Ela apresenta o forró Pé Descalço como um estilo desenvolvido dentro da própria escola, caracterizado por variedade de movimentos, exploração da musicalidade e influência da dança de salão.
O verbete da São Paulo Companhia de Dança descreve o estilo como uma abordagem rica em movimentos e fortemente influenciada pelas danças de salão. Essa influência aparece na postura, na organização técnica, nas trocas de direção, nos giros e na preocupação com a comunicação corporal entre a dupla.
Isso não significa que o método esteja separado do restante do forró. A Pé Descalço faz parte da expansão do forró universitário iniciada nos grandes centros urbanos a partir dos anos 1990 e 2000, mas criou uma leitura própria do ritmo.
A identidade visual do método acabou se tornando tão reconhecível quanto os movimentos. Em eventos, congressos e bailes, é comum encontrar alunos usando os colares que representam cada etapa da formação.
Para entender melhor as diferentes vertentes do ritmo, vale consultar também o guia do Busca Dança sobre as diferenças entre forró pé de serra, universitário e eletrônico.
Por que os alunos usam colares coloridos

O sistema de graduação da Pé Descalço possui oito níveis principais:
- Transparente
- Branca
- Azul
- Azul intermediária
- Azul avançada
- Preta
- Preta avançada
- Vermelha
O aluno recebe um colar correspondente ao nível em que está. Para avançar, precisa participar dos exames organizados pela escola. O site oficial informa que as avaliações dos níveis iniciantes costumam ocorrer a cada três meses, enquanto etapas avançadas podem ter intervalos maiores.
Os colares funcionam como referência pedagógica. Eles ajudam a separar conteúdos, indicar quais movimentos serão trabalhados e formar turmas com necessidades técnicas semelhantes.
Uma pessoa que já dança forró antes de entrar na escola pode passar por uma avaliação de nivelamento. Assim, ela não precisa necessariamente começar na primeira turma, desde que demonstre domínio dos conteúdos exigidos.
Segundo material publicado pelo Tênis Clube Paulista, um professor da Pé Descalço deve possuir pelo menos o colar preto. Os níveis mais altos incluem movimentos rápidos, recursos corporais mais complexos, elevações e elementos de apresentação.
O colar vermelho ocupa o topo da graduação. Chegar até ele exige anos de aulas, prática, exames e aprofundamento técnico. Dentro da comunidade da escola, a conquista costuma receber bastante atenção e aparece frequentemente em vídeos de exames e apresentações.
Como funcionam as aulas da Pé Descalço
As aulas geralmente seguem uma sequência organizada. Há aquecimento individual, preparação dos movimentos que serão estudados, explicação técnica e prática em dupla.
Durante a parte em pares, os alunos trocam de parceiro ao longo da aula. Essa rotação reduz a dependência de uma única pessoa e ajuda o estudante a perceber como diferentes corpos respondem à mesma condução.
Outro ponto importante é a escolha entre conduzir e ser conduzido. A escola permite que o aluno aprenda uma das funções ou estude as duas, independentemente de gênero. Por esse motivo, a metodologia evita usar “cavalheiro” e “dama” como definições obrigatórias das posições da dupla.
O modelo descrito pelo Tênis Clube Paulista prevê uma hora de aula e, em algumas unidades, um período posterior de prática livre. Esse segundo momento funciona como um pequeno baile, no qual alunos de diferentes turmas podem repetir movimentos, dançar entre si e ganhar experiência fora dos exercícios dirigidos.
Os horários, a duração da prática e a organização das turmas podem variar entre as unidades. O ponto em comum é a progressão técnica orientada pelos níveis e pelo conteúdo exigido para cada colar.
Quantas unidades da Pé Descalço existem atualmente
A Pé Descalço se apresenta como uma das maiores redes de escolas de forró do mundo e informa possuir mais de 20 unidades no Brasil e no exterior.
Um levantamento realizado em agosto de 2026 no diretório danca.com encontrou 21 unidades com páginas cadastradas. Como a composição da rede pode mudar, o número oficial “mais de 20” é a forma mais segura de apresentar a dimensão atual.
Minas Gerais
Minas Gerais continua sendo o principal território da rede. Foram encontradas unidades em:
- Belo Horizonte: Central, Barreiro, Buritis, Castelo, Cidade Jardim, Cidade Nova, Pampulha, Savassi e Venda Nova;
- Contagem: Eldorado;
- Juiz de Fora;
- Sete Lagoas.
Algumas dessas escolas já acumulam mais de uma década de atividade. A unidade Cidade Jardim, por exemplo, informa ter sido inaugurada em fevereiro de 2011 e ter recebido mais de mil alunos desde então. A unidade de Juiz de Fora começou em janeiro de 2013.
O Busca Dança possui fichas de unidades como Pé Descalço Central, Pé Descalço Buritis, Pé Descalço Savassi e Pé Descalço Pampulha.
São Paulo
Em São Paulo, o diretório apresenta cinco unidades:
- ABC, em Santo André;
- Conceição, na Vila Guarani;
- Ipiranga;
- Paulista, na Aclimação;
- Pinheiros.
A unidade Paulista começou em julho de 2024 no Tênis Clube Paulista. O espaço utiliza um salão de aproximadamente 800 metros quadrados e foi criado por antigos alunos da rede que seguiram o caminho da docência e da gestão. A aula inaugural gratuita reuniu cerca de 180 participantes, segundo o clube.
A ficha da Pé Descalço ABC também está disponível no Busca Dança.
Rio de Janeiro, Goiás e exterior
O levantamento encontrou unidades no Rio de Janeiro e em Niterói, além da Pé Descalço Goiânia.
Fora do Brasil, a unidade ativa localizada foi a Pé Descalço London, próxima à estação Liverpool Street. A escola londrina oferece turmas organizadas pelos mesmos níveis usados no Brasil, incluindo transparente, branca, azul, preta e horários de prática livre.
A relação de unidades deve ser conferida no site oficial da Pé Descalço antes da publicação ou de uma atualização futura da matéria.
Como a rede cresceu a partir dos próprios alunos
Um padrão aparece em várias unidades: pessoas começam como alunas, avançam pelos colares, entram na equipe e depois assumem funções como monitor, professor, examinador ou gestor.
A unidade Paulista é um exemplo claro. Seus responsáveis se conheceram como alunos anos antes de abrir a escola. Histórias semelhantes aparecem nos perfis de professores e gestores de outras cidades.
Esse modelo ajuda a manter a metodologia mesmo com a expansão geográfica. Quem assume uma turma já conhece o vocabulário, a sequência dos níveis, os critérios de avaliação e a cultura criada dentro da rede.
Em 2024, Rick Resende declarou ao Diário do Comércio que a empresa pretendia alcançar 50 unidades em cinco anos. A reportagem estimava investimento entre R$ 15 mil e R$ 30 mil para a abertura de uma escola, dependendo da localização e do capital de giro. Trata-se de uma meta empresarial anunciada naquele período, e não de um número já alcançado.
A rede também desenvolveu produtos próprios, incluindo itens de vestuário, e passou a realizar workshops fora do Brasil. Essas atividades ampliaram o negócio para além das mensalidades das aulas presenciais.
A Pé Descalço também oferece aulas online
A metodologia chegou ao ensino digital por meio do curso Forró do Zero, voltado para pessoas sem experiência anterior. O treinamento é apresentado por professores da escola e pode ser acessado pela Hotmart.
Há também um curso intermediário dedicado às turmas azuis. O conteúdo revisa bases corporais, movimentos separados e em dupla, recursos técnicos e sequências associadas ao estilo da escola. A própria descrição informa que essa etapa prepara os alunos para o exame da preta.
O formato online permite que pessoas de cidades sem unidade física conheçam o método. Ainda assim, a prática em dupla, a troca de parceiros e o contato com diferentes conduções continuam sendo partes importantes da experiência presencial.
Curiosidades sobre a Pé Descalço
O aniversário é comemorado em 12 de abril
A data oficial de criação é 12 de abril de 2003. Em 2026, a escola completou 23 anos.
O primeiro colar é transparente
O aluno iniciante recebe o colar transparente, associado pela escola à humildade e ao começo do processo de aprendizado. Os significados dos demais níveis podem ser consultados na página oficial dos colares.
O aluno pode aprender as duas funções
Uma mesma pessoa pode estudar tanto condução quanto resposta à condução. Essa possibilidade costuma ampliar a percepção sobre a comunicação corporal da dupla.
Os exames também funcionam como eventos
As avaliações dos níveis avançados atraem alunos, professores e convidados. Alguns exames incluem movimentos de maior dificuldade e acabam ganhando clima de apresentação.
A rede chegou à Europa
A unidade de Londres mantém o sistema de níveis e oferece aulas regulares, prática livre e encontros relacionados ao forró brasileiro. A escola se apresenta como o primeiro projeto internacional do grupo.
Algumas unidades oferecem aula experimental
A rede divulga a possibilidade de aula gratuita, mas o procedimento e a disponibilidade dependem de cada unidade. O agendamento deve ser feito pelos canais locais.
O lugar da Pé Descalço na história recente do forró
A história da Pé Descalço ajuda a entender uma fase importante do forró urbano brasileiro. A partir dos anos 2000, escolas passaram a organizar o ensino com grades fixas, formação de professores, turmas por nível e expansão para cidades distantes dos polos tradicionais do Nordeste.
A rede mineira levou esse processo a uma escala pouco comum dentro de um único estilo de dança. Criou uma metodologia reconhecível, formou professores dentro da própria estrutura e transformou alunos em responsáveis por novas unidades.
Também contribuiu para levar o forró a públicos que talvez não frequentassem festas ou casas tradicionais sem antes passar por uma aula. O aluno aprende em um ambiente organizado e depois leva essa experiência para bailes, festivais e outros espaços da cena.
Quem procura lugares para colocar os passos em prática pode consultar o guia de onde dançar forró em São Paulo ou pesquisar escolas e eventos por cidade no buscador do Busca Dança.
A Pé Descalço cresceu muito desde aquela iniciativa voluntária de 2003. Os colares, as funções de condução e a formação interna de professores mostram que a expansão não aconteceu apenas pela abertura de endereços. Houve a criação de um sistema capaz de ser repetido em diferentes cidades e até fora do país.
Unidades, endereços, turmas, valores e horários podem sofrer alterações. Confirme as informações diretamente com a escola antes de comparecer.