Quem vê o passo do frevo pela primeira vez pode reparar na sombrinha colorida, nos giros baixos ou nos saltos. Mas a dança pernambucana não se resume a um acessório nem a uma sequência fixa: ela combina improviso, agilidade, ginga e escuta da música. Entender esses elementos ajuda a reconhecer o frevo e a chegar a uma aula com expectativas mais realistas.
O frevo nasceu nas ruas do Recife e de Olinda, em Pernambuco, no fim do século XIX, ligado às festas de Carnaval e às bandas e agremiações que ocupavam a cidade. O Iphan descreve sua formação como um encontro de influências, entre elas a capoeira, os dobrados militares e músicas populares da época. Em 2007, a manifestação foi registrada como Patrimônio Cultural do Brasil; em 2012, entrou na lista da Unesco de patrimônio cultural imaterial da humanidade. A página do frevo no Iphan reúne informações sobre sua história e seus elementos culturais.
O que é o passo do frevo?
“Passo” é o nome dado à dança do frevo. Ela se desenvolveu nas ruas, ao som das orquestras, com movimentos inventados e recriados pelos passistas. A relação histórica com a capoeira aparece na ginga, em mudanças rápidas de nível e em movimentos que pedem controle do corpo. Isso não significa que a dança seja uma demonstração de luta: no frevo, esses gestos integram uma linguagem artística e carnavalesca.
Ao observar uma apresentação, note como o corpo responde à música: há deslocamentos curtos, mudanças de direção, flexões, saltos e poses. O repertório inclui movimentos conhecidos, mas a expressividade de cada passista e a improvisação também fazem parte da dança. Por isso, dois dançarinos podem interpretar a mesma música de maneiras diferentes.
A sombrinha tem função na dança?
Sim. A sombrinha pequena e colorida virou um símbolo visual do frevo, mas também participa da movimentação. Segundo o Iphan, ela ajuda no equilíbrio e compõe a identidade da dança. Seu uso acompanha o corpo e pode realçar giros, deslocamentos e poses. Não é, portanto, apenas um adereço para a fotografia.
Quem está começando não precisa tentar reproduzir de imediato os movimentos mais acrobáticos vistos em desfiles. Em uma aula, a sombrinha pode entrar como parte do aprendizado, conforme a proposta de quem ensina. Vale perguntar como será usada e seguir as orientações da turma, em vez de improvisar com um guarda-chuva comum, que não foi preparado para a prática.
Frevo também é música, rua e comunidade
Frevo pode nomear uma manifestação cultural que reúne dança e música, enquanto “frevo” também se refere a diferentes formas musicais. O Iphan distingue, entre elas, o frevo-de-rua, geralmente instrumental e associado às orquestras de sopros; o frevo-de-bloco, com presença de corais; e o frevo-canção, que inclui voz. O passo é a dança, e sua interpretação muda conforme a música e o contexto.
A Unesco reconheceu o frevo como uma expressão que articula música, dança, capoeira e outros saberes, praticada principalmente no Carnaval do Recife. A descrição da Unesco sobre o frevo também destaca a participação de associações e agremiações na transmissão dessa tradição. Ensaios, oficinas e apresentações ajudam a manter a dança em circulação ao longo do ano, e não apenas durante a folia.
Como começar a conhecer o passo
Uma boa porta de entrada é assistir a uma aula ou apresentação conduzida por passistas e grupos ligados à tradição do frevo. Repare no ritmo, na variedade dos movimentos e na maneira como cada pessoa ocupa o espaço. Se for praticar, comece com instrução adequada e avance aos poucos: o passo tem diferentes níveis de exigência, e não é preciso dominar saltos ou acrobacias para aprender a linguagem da dança.
Também vale buscar conteúdos de instituições culturais e grupos de Pernambuco para conhecer os nomes dos movimentos e seus contextos. O frevo se transforma na prática de quem o dança, mas suas raízes, seus agentes e sua relação com as ruas fazem parte do que se vê em cada passo.