O Cerrado dá forma à coreografia de Menos da Metade, espetáculo da Quasar Cia de Dança anunciado para 29 de outubro, em Londrina, e para 31 de outubro e 1º de novembro, em Fortaleza. Com criação de Henrique Rodovalho e direção da companhia de Vera Bicalho, a obra leva ao palco as transformações do território onde o grupo goiano nasceu.
A proposta acompanha a passagem entre o fim das chuvas e a seca. Oito bailarinos trabalham paisagens, temperaturas e mudanças do bioma em uma criação que coloca a crise ambiental no centro da cena. Para quem pretende assistir, esse é um ponto de partida: observar como o corpo pode sugerir um território sem precisar reproduzi-lo literalmente. A descrição do percurso está na sinopse publicada pelo Festival de Dança de Londrina.
Como um território vira movimento
Na apresentação da própria Quasar, os corpos funcionam como extensão da paisagem. Terra, calor, fauna, flora e céu são referências para uma criação que a companhia apresenta como um chamado à preservação. Trata-se da intenção declarada pelos artistas, não de uma avaliação feita a partir de uma sessão assistida pela reportagem.
Essa escolha também aproxima a obra do lugar de atuação do grupo. O Theatro José de Alencar destaca o trabalho como a primeira abordagem da companhia diretamente voltada a uma questão de seu território de existência. O Cerrado aparece, portanto, como assunto concreto de criação e como contexto da dança produzida em Goiás.
Uma possibilidade de leitura é acompanhar as relações entre os bailarinos e o espaço: onde os movimentos se concentram, quando se dispersam e que contrastes aparecem entre os corpos. Não é necessário procurar uma tradução única para cada gesto. Vale deixar que as imagens se acumulem antes de tentar dar um significado fechado ao que acontece no palco.
Luz e som participam da construção da paisagem
Rodovalho assina a direção artística, a criação coreográfica e o desenho de luz. A trilha sonora original é de Luiz Clímaco e Henrique Reis, com vozes de Cláudia Vieira e Grace Carvalho. A ficha técnica da companhia também credita a Clímaco a narração de um texto jornalístico. Esses elementos mostram que o assunto ambiental atravessa diferentes camadas da montagem.
Para o espectador, fica o convite a prestar atenção também no que se escuta e no que a iluminação permite enxergar. Que sensação uma mudança de luz produz? O som aproxima ou distancia a cena de uma paisagem reconhecível? São perguntas possíveis para acompanhar a apresentação, sem transformar a experiência em uma prova de interpretação.
Onde assistir nos próximos dias
Em Londrina, a sessão integra o Festival de Dança de Londrina, cuja programação segue até 31 de outubro. A prefeitura confirma a passagem da companhia pelo Teatro Ouro Verde na quinta-feira, dia 29.
- Londrina: 29 de outubro de 2026, às 20h, no Teatro Ouro Verde, Rua Maranhão, 85.
- Ingressos: R$ 30, inteira, e R$ 15, meia-entrada, conforme o serviço publicado pelo festival.
- Duração e classificação: 70 minutos, livre.
A página específica do espetáculo oferece o acesso à compra. Consulte ali as condições de ingresso e a disponibilidade antes de organizar a ida.
Em Fortaleza, as apresentações fazem parte da Bienal Internacional de Dança do Ceará. O serviço do teatro informa sessões no Palco Principal, com entrada gratuita por ordem de chegada, respeitando a lotação, e acessibilidade no setor de plateia térrea.
- Fortaleza: 31 de outubro, sábado, às 20h30, e 1º de novembro, domingo, às 18h, no Theatro José de Alencar.
- Acesso: gratuito, por ordem de chegada.
- Duração e classificação: 70 minutos, livre.
Como não há lugar garantido apenas por chegar ao teatro, planeje-se com antecedência e confira o serviço oficial das sessões em Fortaleza antes de sair.