O maxixe foi uma dança de salão que ganhou força no Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX. Com passos sincopados, dança em par e uma história atravessada por influências culturais e preconceito social, ele ajuda a entender como se formaram algumas das danças urbanas brasileiras.
Chamado em sua época de “tango brasileiro”, o maxixe não era simplesmente uma versão do tango argentino. O apelido ajudava a apresentar a dança a públicos de fora, mas sua história nasceu em outro contexto: o dos bailes populares cariocas, onde diferentes ritmos e modos de dançar se encontravam.
Como surgiu o maxixe
Pesquisadores situam o aparecimento do maxixe no Rio de Janeiro, em especial nas festas e espaços populares da Cidade Nova, a partir da segunda metade do século XIX. Sua formação é associada à combinação de elementos de danças europeias de salão, como a polca, com referências afro-brasileiras do lundu. As descrições variam quanto às influências e aos detalhes dessa origem; por isso, é mais correto falar em cruzamento de práticas do que apontar uma única dança como sua fonte.
A Rádio MEC registra que o maxixe começou como dança e baile popular antes de o nome se consolidar também como gênero musical. A Fundação Joaquim Nabuco, em seu texto sobre o maxixe e o tango brasileiro, também descreve uma formação ligada à polca, à habanera e ao lundu.
O que caracteriza a dança
O maxixe é dançado em par e costuma ser descrito como uma dança de ritmo marcado e sincopado, com balanços, deslocamentos e movimentos de quadril. A proximidade entre os parceiros e o jeito de dançar, que destoava dos padrões considerados respeitáveis por parte da elite da época, contribuíram para que fosse classificado como indecente por seus críticos.
Esse julgamento não era separado de quem dançava. O maxixe circulava sobretudo entre pessoas negras e pobres e em espaços populares, e a condenação moral refletia também preconceitos de raça e classe. Uma revisão acadêmica publicada na revista Arte da Cena, da Universidade Federal de Goiás, destaca que esses fatores são importantes para estudar a história das danças de salão brasileiras, incluindo o maxixe e o samba de gafieira.
Por que também era chamado de “tango brasileiro”
O apelido aproximava o maxixe do tango que começava a ganhar visibilidade na região do Rio da Prata, mas não torna as duas danças iguais. No início do século XX, artistas brasileiros ajudaram a levar o maxixe a palcos europeus. A circulação internacional aumentou sua projeção, enquanto o nome “tango brasileiro” facilitava sua divulgação para plateias estrangeiras.
A dança também aparece na história da música popular. Com o tempo, algumas de suas características e passos foram associados a outras práticas brasileiras, mas isso não significa que o samba seja apenas uma continuação direta do maxixe. A relação entre os gêneros é tema de pesquisa, e suas trajetórias têm diferenças próprias.
Como conhecer o maxixe hoje
Quem quer se aproximar do maxixe pode começar ouvindo gravações identificadas como maxixe ou tango brasileiro e observando o pulso sincopado. Em uma aula, vale perguntar como a pessoa que ensina contextualiza a dança e quais referências musicais e históricas utiliza. A proposta pode variar de acordo com o professor e o foco da atividade.
Em Santa Catarina, o projeto Vem Dançar Comigo aparece no Busca Dança como uma iniciativa dedicada ao ensino de maxixe, com aulas em grupo e particulares. Consulte o canal oficial do projeto para confirmar se há turmas abertas, locais e horários atualizados antes de planejar uma aula.
Conhecer o maxixe é encontrar uma parte da história da dança brasileira que combina criação popular, circulação cultural e disputas sobre quais corpos e movimentos eram aceitos nos salões. Seu legado pode ser investigado sem reduzir a dança a um rótulo ou apagar as pessoas que participaram de sua formação.